30/06/2020 as 04:19

Operação traz novas revelações de ligação da familia Bolsonaro e milicias

O Ministério Público revelou fatos importantes na peça em que pediu a prisão do ex-assessor de Flávio Bolsonaro

Política Online

Política
Por Ewerton Júnior
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A operação Anjo, deflagrada em 18 de junho, avançou alguns passos na elucidação dos laços de Fabrício Queiroz e da família Bolsonaro com as milícias do Rio de Janeiro. A  relação ainda não está clara, mas o Ministério Público revelou fatos importantes na peça em que pediu a prisão do ex-assessor de Flávio Bolsonaro. Entre eles, um encontro suspeito entre o advogado do senador, Luis Gustavo Botto, e familiares do ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado como chefe de uma milícia. Também participou dessa reunião a mulher de Queiroz, Márcia Aguiar, que segue foragida. O objetivo, segundo a Promotoria, seria elaborar um plano de fuga para a família do ex-assessor com a ajuda de Adriano, seu amigo.

Outro ponto levantado pela Promotoria é a relação de Queiroz com milicianos da zona oeste do Rio. Mensagens trocadas entre Márcia e o marido indicam que ele mantém influência sobre um grupo paramilitar de Rio das Pedras. Em dezembro de 2019, Márcia encaminhou ao PM aposentado o áudio de um homem que queria pedir ajuda a Queiroz depois de ter sido ameaçado pelo grupo paramilitar que domina a região. "Eu queria que, se desse para ele ligar, se conhecer alguém daqui, Tijuquinha, Rio das Pedras, os 'meninos' que cuidam daqui", afirmou o interlocutor à mulher de Queiroz. Em resposta a Márcia, o ex-assessor disse que poderia interceder com os milicianos pessoalmente, mas que não faria o contato pelo telefone porque tinha receio de estar grampeado.

COVID-19

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) divulga nesta segunda-feira, 29, o boletim epidemiológico do coronavírus, com 396 novos casos e 33 óbitos. Em Sergipe, 24.817 pessoas já testaram positivo para a COVID-19 e 653 morreram.  Onze mortes são da capital, sendo oito homens: 66, com tireoidite de Hashimoto; 65, com hipertensão e obesidade; 73, com cardiopatia e hipertensão; 80 e 90, sem comorbidades; 70, com hipertensão, diabetes e amaurose bilateral; 75, com obesidade e hipertensão; e 44, com obesidade. As mulheres são: 66, sem comorbidades; 88, com hipertensão e cardiopatia; e 91, com diabetes e hipertensão. Em Nossa Senhora do Socorro, três mortes: dois homens, de 60, com diabetes e 50, com transtorno psiquiátrico; e idosa, 55, com doença renal crônica. Algumas cidades registraram mortes de pacientes sem comorbidades: de Neópolis, homem, 62 anos e mulher, 79; de Itabaianinha, mulher, 44 anos, e homem, 54; da Barra dos Coqueiros, uma jovem de 25 anos; de Arauá, mulher, 67; de Pedra Mole, um jovem de 22 anos; de Santana do São Francisco, homem, 65 anos; homem, 70, de Lagarto; homem, 54, de Ribeirópolis; e homem, 76, de São Cristóvão. As outras mortes foram: mulher, 74 anos, de Campo do Brito, com diabetes, doença renal crônica e imunossupressão; homem, 70, de Frei Paulo, com cardiopatia; homem, 73, de Itaporanga, com hipertensão e diabetes; homem, 72, de Laranjeiras, com diabetes e doença renal crônica; homens, de 85 anos, com neoplasia e 73 anos, com hipertensão e diabetes, ambos de Itabaiana; mulher, 95, com cardiopatia, e homem, 80, com doença renal crônica, sendo os dois residentes de Estância. São 10.109 pessoas curadas até o momento. Foram realizados 49.714 exames e 24.897 foram negativados. Estão internados 625 pacientes, sendo 253 em leitos de UTI (129 na rede pública, sendo 125 adultas e 4 pediátricas; e 126 na rede privada, sendo 124 adultas e 2 pediátricas) e 370 em leitos clínicos (229 na rede pública e 141 na rede privada). São investigados mais 20 óbitos. Mais detalhes sobre o novo boletim epidemiológico da Covid-19 em sergipecontraocoronavirus.net.br.

SUBINDO

O Observatório de Sergipe, em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde, divulga mais um boletim Covid-19: Sergipe e Território Nacional, com informações atualizadas até 29 de junho. Sergipe (1062) ultrapassou Alagoas (1028) e é o quarto estado com maior número de pessoas contaminadas por covid-19, por cem mil habitantes, no Nordeste, ficando atrás do Ceará (1178), Paraíba (1112) e Maranhão(1110). Isolamento social em Sergipe foi em média de 39% ao longo da última semana, valor não satisfatório, mas que se repetiu ao longo das outras semanas de junho. Moita Bonita desponta com 1464 casos por cem mil habitantes e é o terceiro município com maior incidência no Estado. Aracaju, primeiro colocado, atingiu 2169 por cem mil habitantes– mais de 2% de sua população. Itabi (20%) e São Francisco (16%) têm maior taxa de crescimento médio dos últimos 7 dias.

INVESTIGAÇÃO

O secretário da Segurança Pública, João Eloy de Menezes, determinou abertura de procedimento investigativo para apurar informações e fotos que mostram uma reunião de pessoas em um sítio da cidade de Japaratuba, de propriedade do ex-prefeito Hélio Sobral, ocorrido no início de junho. O delegado Jonathas Evangelista foi comunicado sobre a determinação e iniciará o procedimento com o suporte da Delegacia de Japaratuba. A festa foi realizada para comemorar a adesão do ex-prefeito à chapa da prefeita da cidade, Lara Moura. As fotos mostram diversas pessoas reunidas no sítio, entre elas o ex-deputado federal André Moura e o deputado estadual Zezinho Sobral. As imagens revelam ainda flagrante descumprimento do que determina o decreto governamental, que define regras para diminuir a incidência de casos da Covid-19 em Sergipe. Na nota a secretaria lembra, que tal postura pode incidir em práticas de alguns crimes previstos no Código Penal e que têm sido utilizados por autoridades policiais para responsabilizar pessoas nesse período da quarentena e de normas definidas pelo Poder Público, a exemplo do crime de desobediência e contra a saúde pública.

RECORREU

A Assessoria Jurídica do deputado federal Gustinho Ribeiro (SD) informou que a decisão da 2ª Vara Cível da Comarca de Lagarto não foi sobre desvio de recursos publicos praticado pelo parlamentar. Em sua decisão, o magistrado entendeu que o então deputado estadual teria obrigação de fiscalizar a aplicação dos recursos da Assembleia Legislativa. Segundo a nota, em nenhum momento, a decisão judicial fala de desvio de recursos por parte do deputado Gustinho Ribeiro. "Pelo contrário, a decisão reconhece expressamente que não houve qualquer apropriação de recursos por parte do deputado. Ela afirma que o deputado não fiscalizou a aplicação das verbas".  Ou seja, a decisão do juiz tenta atribuir uma responsabilidade fiscalizatória ao parlamentar que contraria a lei das subvenções, que atribui ao presidente da Alese o dever de encaminhar ao Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE/SE) a forma como o recurso é aplicado para a elaboração de relatório.  A Assessoria Jurídica do deputado Gustinho Ribeiro ainda afirmou que recorrerá da decisão, por reconhecer que vários equívocos foram perpetrados, acreditando fortemente na reforma da sentença.

LONGE

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que ainda está longe de um acordo para votar na Casa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/20, que adia as eleições municipais deste ano, previstas para outubro, em razão da pandemia do novo coronavírus (covid-19). O texto, aprovado na semana passada no Senado, prevê que o pleito seja realizado nos dias 15 e 29 de novembro, em vez das datas oficiais de 4 e 25 de outubro.  Rodrigo Maia disse que está trabalhando para que haja consenso para votar a matéria até quarta-feira (1°). “É importante que a Câmara tome a sua decisão. Estamos dialogando para construir o apoio necessário, até a unanimidade, para que a gente possa votar, mas ainda estamos longe disso. A nossa intenção é, com diálogo, chegar até quarta-feira (1º) a uma solução para esse problema”, disse durante coletiva ao lado do prefeito de São Paulo, Bruno Covas, e do deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP), depois de uma reunião reservada.  Maia, que defende o adiamento do pleito, lembrou que pelo atual calendário eleitoral, o dia 4 de julho já impõe uma série de restrições nas condutas de agentes públicos e servidores que podem afetar a igualdade de oportunidades entre candidatos nos pleitos eleitorais. “A decisão de votar a PEC precisa acontecer essa semana, até porque temos o prazo de 4 de julho, que é muito importante. São milhares de servidores públicos que pretendem disputar a eleição, certamente muitos na área da saúde, que precisam da informação para tomar a sua decisão”, disse.

MASCARA

A Advocacia-Geral da União recorreu da decisão que obriga o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a usar máscara de proteção facial em espaços públicos do Distrito Federal. De acordo com o recurso, o presidente deve receber tratamento igual aos demais cidadãos e, na prática, a decisão dirigida a ele é mais 'rígida' e 'onerosa'. O documento destaca ainda que a imposição é descabida, uma vez que já existe um decreto do governo local, em vigor desde 30 de abril, que regulamenta o uso do EPI. "Ao Presidente da República deve ser conferido tratamento justo e isonômico nem mais nem menos. Não obstante, a situação dos autos deixa dúvida sobre a aplicação prática desse postulado, uma vez que - salvo se houver o consenso de que a não utilização de máscara de proteção, por parte de qualquer cidadão de bem, é prática lesiva ao princípio da moralidade e à saúde pública, tutelada por meio de ação popular -, o que a situação dos autos indica é a imposição de um controle fiscalizatório mais rígido e oneroso ao Presidente da República", afirma a AGU. Na última terça, 23, o juiz federal Renato Borelli, da 9ª Vara Cível do Distrito Federal, determinou que Bolsonaro deveria cumprir a recomendação para evitar a disseminação da Covid-19 e usar máscara 'em todos os espaços públicos, vias públicas, equipamentos de transporte público coletivo e estabelecimentos comerciais, industriais e de serviços do Distrito Federal', sob pena de multa diária de R$2 mil.




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