29/07/2021 as 09:22

Prevalências insalubres

As eleições de 2022 em Sergipe serão marcadas pela hipocrisia generalizada

Blog do TR

Política
Por Thiago Reis
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Uma das principais causas de reincidência de egressos do sistema prisional ao mundo da criminalidade, é a baixíssima oferta de vagas de empregos para os que possuem ficha criminal.

E mesmo com o incentivo de programas sociais através da diminuição da carga tributária de empresas que contratem ex-presidiários, a razão predominante que contribui diretamente para essa baixíssima oferta de vagas, é a confiabilidade do empregador no empregado.

Porque imagine você estar precisando contratar uma babá para o seu filho, e em suas mãos estejam dois currículos: o de uma profissional qualificada e sem antecedentes criminais, e o de uma ex-presidiária que cumpriu pena por tráfico de drogas. Qual das duas você contrataria!?

Naturalmente, o critério “confiabilidade” seria predominante em sua escolha, e nesse caso a ex-presidiária consequentemente não seria contratada.

Essa seleção natural é justa até que ponto, considerando que o poder público deve ofertar mecanismos eficazes de reinserção dos egressos do sistema prisional ao convívio social, no sentido de evitar uma reincidência ao mundo do crime!?

Acabamos então enquanto sociedade, encurralados pelo preconceito contra egressos do sistema prisional!? De certa forma sim, mas por qual motivo esse mesmo comportamento não se aplica ao campo político, na avaliação dos figuras públicas detentoras de mandato, e os posicionamentos adotados por eles, que na grande maioria das vezes estão na contramão dos interesses da sociedade?

E tomando essa reflexão como lastro para a construção de um raciocínio que coloca em xeque a conduta da grande maioria dos personagens do cenário político sergipano, fica cada vez mais evidente que as eleições de 2022 em Sergipe, serão marcadas por um desfile de narrativas hipócritas e discursos empolados.

Porque, enquanto o ex-presidiário comum é empurrado de volta para o mundo do crime por falta de oportunidades, o ex-presidiário político é tratado como celebridade injustiçada pelo “sistema”.

Um sistema que conseguiu corromper diversos juízes de instâncias distintas, que confirmaram a culpabilidade materializada por meio de um farto material probatório, mas que segundo os iluminados do STF, toda a condução processual foi ilegal, e portanto passível de extinção e consequente reestabelecimento dos plenos direitos civis e políticos de um criminoso juramentado.

E qual serão as consequências da garantia de elegibilidade de um criminoso juramentado nas eleições de 2022 em Sergipe? A meu ver, a garantia de elegibilidade do ex-presidente Lula, provocará um verdadeiro desfile de uma hiprocrisia generalizada, compartilhada entre os postulantes à cargos eletivos nas próximas eleições.

Um comportamento pernicioso, que será adotado por figuras públicas que desejam convencer o eleitor sergipano que um ex-presidiário juramentado em diversas instâncias, é o mais preparado para comandar o país.

Daí eu me pergunto, como acreditar nos personagens do cenário político sergipano que pretendem comandar o Estado pelos próximos quatro anos, que têm como referência política um criminoso juramentado!?

Que tipo de confiança a classe política sergipana deseja passar ao eleitorado que quer ver Sergipe voltar a ser um Estado de oportunidades, bem gerido, saneado economicamente e que tenha em seu programa de Governo a despolitização das pautas públicas como prioridade?

Na disputa pelo Governo do Estado, o cavalo foi selado, e já tem as rédeas sob o comando de quem, mesmo sendo jovem, sabe dominar uma montaria, inclusive em momentos de adversidade – (entendedores, entenderão).

Mas convencer o eleitor sergipano que um ex-presidário juramentado em diversas instâncias é a solução para garantir um futuro melhor para o país, é a síntese da uma prevalência insalubre completamente irreversível.




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