POLÍTICA

01/12/2020 as 12:00

Filhos de Bolsonaro serão principais pontes de Eduardo Paes com presidente

Paes fez o primeiro sinal ao governo federal ao afirmar que pretende trabalhar em parceria com o governo federal no combate à pandemia do coronavírus

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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Eleito prefeito do Rio com uma estratégia de evitar críticas a Jair Bolsonaro (sem partido), Eduardo Paes (DEM) tem nos filhos do presidente a principal ponte para tentar estreitar as relações com o governo federal.

 O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos) já fez elogios públicos ao prefeito eleito. Já Paes afirmou que teve relação amistosa com o vereador reeleito Carlos Bolsonaro (Republicanos).

A mãe de ambos, Rogéria Bolsonaro, foi empregada na prefeitura ao longo de quase todos os seus dois mandatos anteriores.

 

Paes fez o primeiro sinal ao governo federal ao afirmar que pretende trabalhar em parceria no combate à pandemia do coronavírus. Alinhou-se ao discurso do presidente se declarando contra o "lockdown" numa eventual segunda onda, embora tenha afirmado que respeitará a ciência.

A relação entre o prefeito eleito e os Bolsonaro data de 26 de janeiro de 2009, quando Rogéria foi nomeada para um cargo comissionado na Secretaria de Casa Civil. Ela permaneceu no cargo até agosto de 2016, quando deixou o posto porque o filho Flávio concorria à sucessão de Paes.

Em 2018, na disputa com Wilson Witzel (PSC) pelo governo do estado, Paes buscou destacar que mantinha boas relações com Bolsonaro. Elas ficaram evidentes quando Flávio, mesmo apoiando o adversário do candidato do DEM, fez declaração pública elogiando Paes.

"A pessoa da mais alta competência, do mais alto gabarito. Acho que ninguém pode falar da vontade dele de trabalhar. Todos nós víamos sua vontade e a sua alegria, principalmente, de estar na prefeitura", disse o senador em 2018, num evento promovido por igrejas evangélicas.

Na mão contrária, Paes também já teceu elogios públicos ao vereador Carlos Bolsonaro, a quem já chamou de "vereador muito correto" e "elegante".

 

Mesmo tendo recebido críticas do filho do presidente por decretos voltados a transexuais e travestis, bem como pela formação do Conselho dos Direitos da Mulher.

Em entrevista à youtuber Antônia Fontenelle, o prefeito eleito afirmou que recebeu o filho 02 do presidente em seu gabinete em 2016 às vésperas da posse de Marcelo Crivella (Republicanos), seu sucessor.

"O Crivella já tinha ganho a eleição, aquela hora que o cafezinho já está frio, o Carlos teve um gesto de muita gentileza comigo. Ele pediu uma audiência, coisa que fez muito pouco quando fui prefeito. Me agradeceu, disse que fui um bom prefeito, fez lá a crítica do que ele achava que estava errado, mas foi me cumprimentar. Gesto de muita gentileza e educação", disse Paes.
"Carlos sempre foi um vereador muito correto. Votou a maior parte das questões com o meu governo. As pessoas falam de um estilo beligerante dele. Não conhecia esse lado dele", afirmou o prefeito na entrevista a Fontenelle, em junho.

As relações amistosas ficaram expostas com o elogio de Bolsonaro a Paes no primeiro turno, a quem o presidente chamou de "bom gestor" mesmo declarando apoio a Crivella.

O prefeito eleito se esforçou para não contrariar a família presidencial durante a eleição. Evitou nacionalizar a disputa e afirmou que sua candidatura não tinha padrinhos.

No discurso da vitória, porém, apareceu ao lado do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), a quem classificou como um aliado essencial para a conquista. Disse também que o resultado das urnas mostrou uma derrota de radicalismos.

"Essa é uma vitória dos que acreditam na boa política. Passamos os últimos anos de certa maneira radicalizando a política brasileira, contestando aqueles que exercem a atividade política. Os resultados desse radicalismo, desse quadro de extremos, de muito ódio e divisão não fez bem aos cariocas e brasileiros", afirmou.

Bolsonaristas não gostaram do tom, semelhante ao do discurso do prefeito eleito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), aliado do governador João Doria (PSDB), arquirrival do presidente.


Após o discurso de Paes, Maia, que também acumula rusgas com Bolsonaro, buscou amainar o tom aparente da fala. "É uma vitória da política. O Bolsonaro sempre fez política. Não tem nenhuma relação com eleição nacional", disse o presidente da Câmara.




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