POLÍTICA

15/10/2020 as 08:21

Juiz alega engano, e Lula volta a ser doutor honoris causa em universidade de Alagoas

Quatro dias após decidir anular o título, o juiz Carlos Bruno de Oliveira Ramos recuou alegando um "comando dado no sistema, de forma não voluntária" e arquivou o processo por prescrição

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MACEIÓ, AL (UOL/FOLHAPRESS) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a ser doutor honoris causa da Uneal (Universidade Estadual de Alagoas). Quatro dias após decidir anular o título, o juiz Carlos Bruno de Oliveira Ramos recuou alegando um "comando dado no sistema, de forma não voluntária" e arquivou o processo por prescrição.

 Na nova sentença dada nesta quarta-feira (14), o magistrado da 4ª Vara Cível de Arapiraca (AL) explica que, como o ato do conselho universitário que concedeu o título a Lula ocorreu em março de 2012, e a ação popular da advogada Maria Tavares Ferro -hoje candidata a vereadora pelo PSDB em Maceió- foi impetrada apenas em agosto de 2017, o prazo máximo de cinco anos para reclamação foi descumprido, e a ação deveria ser arquivada.
 "Sabe-se que a pretensão surge para o titular a partir do momento em que é violado o direito. No caso dos autos, não havendo causa legal de impedimento, suspensão ou interrupção do prazo prescricional, o termo inicial corre a partir da data da publicação do ato que pretende obter a declaração de nulidade", diz o juiz, dando "solução de mérito pela prescrição."

Sobre a decisão do último dia 10, em que ele mesmo anulou o título de Lula, o juiz alega erro. "A sentença foi liberada nos autos digitais de forma inadequada, possivelmente por algum comando dado no sistema, de forma não voluntária, uma vez que a minuta ainda em edição estava na fila de processos em elaboração e acabou sendo finalizada juntamente com outras decisões corrigidas no mesmo dia."

Na ação original, a advogada alegou que o título era "lesivo ao patrimônio público em razão do desvio de finalidade." Na primeira decisão, o juiz acolheu o argumento citando que "não é razoável, nem atende à moralidade administrativa conceder honraria a alguém condenado judicialmente e que ainda responde a outras ações penais."

Procurada pela reportagem, a advogada Maria Tavares Ferro informou que não concorda com a nova decisão e vai recorrer. "Entendo que o direito está lá, ainda latente, do que pleiteei na petição inicial. Vou reiterar esses termos da petição e vou recorrer ao Tribunal de Justiça. Eu vou discutir isso -se preciso for- até o Supremo Tribunal Federal", afirma.




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