MUNDO

21/11/2020 as 08:18

Após trégua no início da pandemia, governo português enfrenta protestos

O desgaste causado pela pandemia já é sentido nas pesquisas de opinião, que mostram a popularidade em queda do primeiro-ministro, António Costa, que tem agora 51% de aprovação

<?php echo $paginatitulo ?>

LISBOA, PORTUGAL (FOLHAPRESS) - Depois de se beneficiar de uma espécie de "trégua política" durante os primeiros meses da pandemia, o governo do Partido Socialista em Portugal enfrenta agora desafios que vão desde a dificuldade para aprovar o Orçamento para 2021 até protestos nas ruas promovidos por diferentes categorias.

 Para complicar ainda mais o cenário, os socialistas acabam de perder o comando da região autônoma dos Açores, que comandaram nos últimos 24 anos. A manobra foi resultado de inesperada –e polêmica– aliança pós-eleitoral feita por partidos de direita, incluindo o ultradireitista Chega.

O desgaste causado pela pandemia já é sentido nas pesquisas de opinião, que mostram a popularidade em queda do primeiro-ministro, António Costa, que tem agora 51% de aprovação. O resultado representa uma diminuição de 12 pontos percentuais em relação a julho, segundo levantamento feito pela Aximage.

Na avaliação de Paula Espírito Santo, professora do Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, o desgaste da popularidade do premiê e dos demais partidos com representação parlamentar era esperado.

"A pandemia afeta a popularidade na medida em que obriga o governo a tomar decisões de imposição de restrições de liberdades, e que há uma série de consequências em termos econômicos, como o fechamento de estabelecimentos, pessoas que foram dispensadas e que estão em teletrabalho", afirma.

"Resta saber se são efeitos que conseguem ser ultrapassados num espaço de tempo curto, que não comprometa a eleição na próxima legislatura, daqui a três anos."

Por se tratar de um regime parlamentarista, a possibilidade de queda do governo e da convocação de eleições antecipadas é algo que está sempre no radar das forças políticas portuguesas. Neste momento, porém, forçar a demissão do Executivo não produziria necessariamente ganhos eleitorais imediatos.

A Constituição proíbe que o presidente da República convoque eleições antecipadas durante os seis últimos meses do mandato. O atual mandato presidencial acaba daqui a menos de quatro meses, em 9 de março. O desafio mais urgente da atual gestão é a aprovação das contas para 2021.




Tópicos Recentes