11/09/2020 as 18:27

Um olhar sobre costumes, cultos e cultivo da cultura popular de Laranjeiras

Fenda Cultural

Cultura
Por Hellen Tereza
<?php echo $paginatitulo ?>

Andar pela cidade de Laranjeiras é imergir no passado, desde sua criação a cidade se desenvolveu preservando os traços da sua história e tradições culturais. As cantigas dos velhos é a mesma cantiga dos novos, que será a cantiga dos próximos. Ouso dizer que a marca cultural da cidade é impressa em quem lá reside muito cedo, com intensidade as consagradas e conhecidas manifestações que acontecem de janeiro a dezembro moldam a alma do laranjeirense.

Depois que as tropas de Cristóvão de Barros acabaram com as nações indígenas, por volta de 1590, muitos colonos acabaram se fixando às margens do rio Cotinguiba. Essas terras pertenciam à Freguesia de Socorro. Naquela região foi construído um pequeno porto e, por conta das inúmeras e frondosas laranjeiras à beira do rio, moradores e viajantes começaram a identificar o local como porto das laranjeiras.

A movimentação pelo rio Cotinguiba era intenso e, logo, o porto passou a ser parada obrigatória. Em torno dele o comércio ganhava espaço, principalmente a troca de escravos, e logo as primeiras residências começaram a serem construídas.

Laranjeiras é uma cidade tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN, desde 1996, se desenvolveu economicamente com base na cana-de-açúcar, do coco, do gado, do comércio e, principalmente do porto.

 


Fonte: Destaque Notícia

Situada a 18 km de Aracaju, a cidade é conhecida por seus grupos folclóricos e prédios históricos do século XVII, seus folguedos estão entre os mais importantes do Brasil, como o Reisado, Guerreiros, Lambe-Sujos e Caboclinhos, Cacumbi, Taieira, Samba de Parelha, São Gonçalo, Batalhão 1º de São João,chegança Almirante Tamandaré e os Penitentes.

Falar sobre essa cidade também é falar sobre negritude. O regime escravocrata que existia na cidade deixou marcas na construção populacional e cultural de Laranjeiras, um passeio em suas ruas é suficiente para perceber traços da miscigenação, além de manifestações da cultura negra que são presentes e preservadas. O primeiro museu dedicado a cultura afro do país está em Laranjeiras, os terreiros de candomblé ajudam a manter viva a religiosidade, o município guarda tradições seculares em meio aos trapiches e prédios históricos que formam um conjunto arquitetônico que relembram o período áureos dos engenhos em Sergipe, mas que também relembram o sofrimento do povo negro ali presente na época.


Quarteirão dos Trapiches
O Quarteirão dos Trapiches foi totalmente reformado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), com sua grande estrutura arquitetônica que remonta ao século XIX. É composto por sete edificações: Trapiche Santo Antônio, Antiga Exatoria, Sobrado 117, Casarão 159, ruínas ao lado do Casarão 159 e ruínas em frente ao mercado. Trata-se do mais importante conjunto arquitetônico do sítio histórico urbano de Laranjeiras e hoje muito deles foram reformados, preservando as ruínas, inclusive com ocupação feita pela Universidade Federal de Sergipe.

Templos religiosos
São mais de 30 templos na região e lá estão a primeira igreja evangélica de Sergipe e o primeiro terreiro de candomblé, considerado de Matriz, já que muitos outros se originou dele: os Filhos de Obá, de origem Nagó e que é tombado pelo Governo de Sergipe, por manter a religiosidade e tradições afro no Brasil. As salas abertas ao público mostram indumentárias, objetos utilizados em cultos e um pouco da história dos Filhos de Obá.

Povoado Mussuca
O povoado Mussuca, a poucos 2km da sede municipal, é uma boa pedida para quem quer completar a busca pelas mais autênticas tradições que envolvem o povoamento do Vale do Cotinguiba. Lá moram muitos dos brincantes dos grupos folclóricos da região e é uma localidade remanescente de quilombo.

Casa do Engenho Retiro e Capela de Santo Antônio
Os jesuítas iniciaram às margens do rio São Pedro, no fim do século XVII, a construção da primeira residência em Laranjeiras. Inaugurada em 1701, foi denominado Retiro, provavelmente este nome se originou em ocorrência da solidão do lugar.
Em anexo à antiga residência, está situada a Igreja de Santo Antônio e Nossa Senhora das Neves, reformada na primeira metade do século XIX. Edificação tombada pelo IPHAN. Localização: Zona rural, a aproximadamente 01 km do centro da cidade

Riquezas folclóricas
Laranjeiras guarda em sua história e tradição muito das culturas indígena, portuguesa e negra e um dos mais ricos folclores do Brasil. São inúmeras as manifestações culturais que nos remetem ao passado e garantem, no presente, uma permanente interação entre as mais diversas comunidades responsáveis pela continuidade do nosso folclore. São algumas das manifestações encontradas em Laranjeiras: Reisado; Taieiras; Lambe-Sujos e Caboclinhos; Cacumbi;Dança de São Gonçalo; Chegança; Samba de Coco; Quadrilhas juninas.

 

Fonte: Pinterest

Encontro Cultural
O Encontro Cultural é uma demonstração da riquíssima cultura do Estado. Teatro de rua, grupos folclóricos, cordel, palestras, seminários e bandas culturais e populares (de renome nacional) se misturam durante o evento. Promovido pela Prefeitura Municipal de Laranjeiras, o encontro é considerado um dos mais importantes do Brasil. O evento foi criado em 1975 sempre mantendo o foco em uma política de defesa e proteção do Patrimônio Cultural. Além de um simpósio temático anual, no qual folcloristas e intelectuais se reúnem para debater questões relacionadas à cultura tradicional brasileira, o Encontro se promove também pela apresentação de grupos folclóricos, grupos não só da cidade de Laranjeiras, mas também de outras cidades do estado de Sergipe e até mesmo de outros estados do nordeste.

 


Fonte: Divulgação

Lambe sujo e Caboclinho

Rapazescom a pele pintada de preto, vestindo gorros e shorts vermelhos, dançam ao ritmo das batidas de percussão dos companheiros que batucam seus instrumentos. Percorrem as ruas desde a madrugada e só vão parar no final do dia. O encontro dos moradores de Laranjeiras paramentados como negros e índios acontece uma vez por ano, num cortejo teatralizado em homenagem à história dos escravos da região, que lutavam por sua liberdade. Os Lambe Sujos, pintados com uma tinta negra escura, são guiados por um príncipe, e pelo rei do quilombo. Atrás deles vão os Caboclinhos, de cocares na cabeça, e a pele pintada de vermelho. Representam os índios contratados pelos donos dos engenhos de açúcar para recapturar seus escravos, prática comum naquele Brasil até 1888, quando a escravidão foi finalmente abolida.

 

Por Hellen Tereza

 




Tópicos Recentes