03/07/2022 as 20:00

Lula lá, Jerônimo na Bahia e em Sergipe persiste a dúvida.

Comportameno de Lula em Salvador reacende a dúvida do apoio a Rogerio Carvalho em Sergipe.

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Depois de caminhar partindo da Lapinha no cortejo cívico do 2 de julho, Luis Inácio Lula da Silva, pré-candidato à presidência, participou de evento do Partido dos Trabalhadores (PT) no início da tarde de sábado (2) na Arena Fonte Nova. O PT não confirmou o número de presentes, mas informou que 15 mil pessoas tinham se cadastrado para ir ao estádio, bem diferente do PT sergipano que em nenhum momento divulgou quantas pessoas se cadastraram e muito menos os que estiveram no CIC no evento em que Lula esteve em Sergipe.  Lula entrou no palco de mãos dadas com o governador Rui Costa, os pré-candidatos ao governo do estado Jerônimo Rodrigues e Geraldo Júnior, o pré-candidato à vice-presidência Geraldo Alckmin e o ex-governador Jacques Wagner. No discurso, o ex-presidente ressaltou a necessidade de não tolerar afrontas contra a democracia.  "É preciso superar o autoritarismo e as ameaças anti-democráticas. Não toleraremos qualquer espécie de ameaça ou tutela sobre as instituições representativas do voto popular. Para sair da crise e voltar a se desenvolver, o Brasil precisa de normalidade e respeito institucional", falou.  O pré-candidato fez promessas e disse que seu foco está em áreas como a ciência e a cultura. Direcionando as palavras para a eleição estadual, depois de apontarem uma possível 'falta de ênfase' no apoio de Lula à Jerônimo Rodrigues, ele disse que está alinhado com o candidato do PT enquanto falava da importância do 2 de julho. "A independência veio acontecer quando homens, mulheres, índios, negros e muita gente desse estado resolveu levantar a cabeça e mandar os portugueses embora definitivamente. 

O governador Rui Costa também discursou no evento, afirmou que a Bahia precisa de Jerônimo e pediu por uma eleição de Lula em primeiro turno. "Esse cara [Jerônimo] é do bem e a Bahia precisa de alguém que abrace o presidente, que ajude e tenha intimidade com o presidente. E quero pedir a vocês, no WhatsApp e nas ruas, pra gente dar a maior vitória do Brasil para Lula", disse o governador. Jerônimo adotou um discurso otimista e fez a promessa de continuar o trabalho conduzido por Rui nos últimos anos. "Nós vamos dar continuidade ao que Jacques começou e o que Rui está fazendo agora. Mas, já que fui desafiado, vou fazer melhor porque terei, diferente de Rui, o presidente da república ao meu lado", falou. Uma das fotos publicadas pela equipe do ex-presidente Lula (PT) durante a passagem dele em Salvador para a celebração do 2 de Julho mostra uma sobreposição com pessoas duplicadas. O registro foi alvo de chacota de bolsonaristas, enquanto a campanha de Lula disse que tratou-se de um bug. Olhando atentamente a imagem panorâmica é possível notar a repetição de algumas pessoas na foto, como, por exemplo, um homem de camisa verde listrada, outro vestindo um chapéu de palha e uma moça de boina vermelha. Após as críticas dos bolsonaristas na Internet, que acusaram o PT de querer mostrar mais gente do que realmente tinha, a assessoria de Lula publicou uma foto do mesmo ângulo, mas feita por um drone, onde o efeito não se repete. "A verdade dói no cotovelo de alguns. Segue uma foto não panorâmica, tirada com drone, do Ricardo Stuckert", reagiu Lula em seu perfil. Nada contra o PT sergipano, inclusive já fui filiado ao partido vermelinho e já comprei minha estrelinha por dez reais, coisa bastante normal quando o Partido dos Trabalhadores não contava com os milhões do fundão partidário, porém o discurso de Lula na Bahia confirma o apoio do ex-presidente ao candidato petista Jerônimo, Lula disse que aqui nesse estado, na Bahia, eu tenho candidato e o meu candidato é Jerônimo.", afirmou. 

Já em Sergipe, Lula em nenhum momento confirmou o apoio ao candidato petista o senador Rogério Carvalho, no evento aqui no estado,  Lula disse que depois da convenção vai estar no palanque, mas só depois da convenção. Lula voltou a criticar nesse sábado, 2, o orçamento secreto e sugeriu (Rogério votou a favor do orçamento secreto, inclusive dando a vitória ao tal da medida). Ainda segundo Lula uma outra Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que concede uma série de benefícios sociais às vésperas da eleição não dará votos ao presidente Jair Bolsonaro (PL) na Bahia. O petista participou de um ato político em Salvador (BA), que celebrou o Dia da Independência do Estado. "Nós precisamos eleger uma grande bancada no Senado e nós precisamos eleger uma grande bancada na Câmara, porque, se a gente não tiver muitos deputados e a gente não acabar com o orçamento secreto, será muito difícil eu e o Alckmin fazermos o que nós precisamos fazer neste País", declarou Lula. O ex-presidente costuma dizer que vai acabar com as emendas de relator, mecanismo central do orçamento secreto. No entanto, num movimento do Congresso para manter controle sobre a destinação de recursos, foi aprovado nesta semana, na Comissão Mista de Orçamento (CMO), o relatório final da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2023 com um dispositivo que torna as emendas de relator impositivas, ou seja, obrigatórias. Lula afirmou que os beneficiários da Proposta de Emenda à Constituição que turbina gastos do governo federal e distribui R$ 41,2 bilhões antes das eleições deveriam "pegar todo o dinheiro" e não votar no presidente Jair Bolsonaro (PL) em outubro. "Eu queria dizer para ele (Bolsonaro) o que o povo baiano está dizendo para ele: 'Bolsonaro, aprove as suas leis, porque a gente vai pegar todo o dinheiro que você mandar, mas a gente não vai votar em você. A gente vai votar em outras pessoas'. Porque o dinheiro que ele está dando agora é só até dezembro", afirmou o petista em discurso nos festejos da Independência do Brasil na Bahia, em Salvador.

TENHA FÉ NO AZUL

O jornalista Carlos Medeiros, Colunista do UOL, publicou  a informação de que a cor azul deve deixar de fora o único candidato do Partido Liberal (PL) líder no Nordeste. O jornalista explica que “Valmir de Francisquinho usou a cor azul durante sua gestão da cidade de Itabaiana e beneficiou o filho, segundo o TSE. Ele, que é do partido de Jair Bolsonaro, é o único nome do PL que lidera pesquisas de intenções de voto para um governo no Nordeste”. Carlos Medeiros diz que o Pré-candidato a governador de Sergipe, Valmir de Francisquinho (PL) está tentando reverter a decisão do Tribunal Superior Eleitoral que o tornou inelegível. No último dia 23, ele foi condenado sob acusação de abuso de poder político nas eleições de 2018.

VAI CONSULTAR

O entrosamento de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), gerou um novo termo entre coordenadores da pré-campanha eleitoral: Lulalckmin. O próprio Lula deixou isso claro em jantar com empresários no último domingo (26), ao referir-se ao papel que o ex-tucano terá em seu eventual governo. Disse que não tomará nenhuma decisão importante sem antes consultar Alckmin. O ex-governador tem figurado como um avalista de Lula durante a série de jantares com empresários. Na terça-feira (28), em outro jantar, Alckmin ficou responsável pela análise macroeconômica e as propostas de "reconstrução do país". No encontro com empresários, entre eles Carlos Sanchez (EMS), Candido Pinheiro (Hapvida), João Camargo (Esfera) e Pedro Silveira (ex-XP), Lula lembrou as vitórias de Alckmin no estado de São Paulo e disse que um está aprendendo com o outro, segundo participantes.

PRORROGADA

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso prorrogou até 31 de outubro deste ano a suspensão de despejos e desocupações, em razão da pandemia de Covid-19, de acordo com os critérios previstos na Lei 14.216/2021. A decisão foi tomada na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 828. Nela, o ministro ressalta que a nova data determinada evita qualquer superposição com o período eleitoral. O ministro destacou que, após um período de queda nos números da pandemia, houve, em junho, uma nova tendência de alta. Ele informou que, entre os dias 19 e 25 de junho deste ano, o Brasil teve a semana epidemiológica com mais casos desde fevereiro, em todo o território nacional. Para Barroso, diante desse cenário, em atenção aos princípios da cautela e precaução, é recomendável a prorrogação da medida cautelar, que já havia sido deferida, pela segunda vez, em março deste ano. Ainda segundo ele, com a progressiva superação da crise sanitária, os limites da sua jurisdição se esgotarão e, por isso, é necessário estabelecer um regime de transição para o tema.

ESTELIONATO ELEITORAL

Ciro Gomes, pré-candidato à Presidência pelo PDT, classificou a aprovação da PEC dos Benefícios no Senado como um estelionato eleitoral gravíssimo e cobrou que o Supremo Tribunal Federal (STF) torne a medida inconstitucional. O ex-ministro e ex-governador do Ceará está em Salvador (BA), assim como outros três presidenciáveis, o presidente Jair Bolsonaro (PL), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a senadora Simone Tebet (MDB-MS). A jornalistas, Ciro disse que a medida - que concede benefícios, como o 'auxílio-caminhoneiro', e amplia programas sociais, como o Auxílio Brasil - é uma violação à Constituição. A PEC tem um custo estimado de R$ 41,25 bilhões, computados fora do teto de gastos. "É uma emenda que permite a população acreditar que vai ser salva por um socorro, mas que só vale até dezembro. O que significa um estelionato eleitoral gravíssimo e uma violação da própria Constituição que não pode ser emendada com tal vileza. Espero que o STF ponha um reparo a este absurdo", afirmou. Durante a agenda pela capital baiana, Ciro se encontrou com Tebet. Ambos tentam se viabilizar como alternativa para a chamada terceira via, em opção aos atuais favoritos na disputa, Lula e Bolsonaro. Logo após, o pedetista publicou nas redes sociais: "Eu e Simone Tebet nos encontramos há pouco, nas ruas, envolvidos pelo calor do povo baiano. Democracia é isso: convivência harmônica e respeitosa."

NA BAHIA I

Os pré-candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Jair Bolsonaro (PL), Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MBD) participaram de atos em Salvador na manhã desse sábado (2), em eventos de pré-campanha. A data é marcada pela celebração do Dia da Independência da Bahia. O presidente Jair Bolsonaro foi um dos primeiros pré-candidatos a discursar. Em sua fala, durante concentração no Farol da Barra, Bolsonaro fez críticas aos governadores do Nordeste que, segundo Bolsonaro, “entraram na justiça contra a redução de impostos na gasolina”. “Isso é inadmissível, o partido, uma região do nosso país, cujo os governadores dizem que ajudam os mais pobres, mas quando chega na hora, fazem exatamente o contrário”, afirmou. Bolsonaro disse ainda que “nós teremos, brevemente, um dos combustíveis mais baratos do mundo”. A pré-candidata à Presidência pelo Simone Tebet (MDB) disse, com exclusividade à CNN, neste sábado (2), que pretende criar ouvidorias para mulheres em estatais. Tebet deu a declaração após ser questionada sobre as denúncias de assédio na Caixa Econômica Federal. Diante das acusações de funcionários do banco, o ex-presidente do banco, Pedro Guimarães, oficializou sua demissão através de uma carta na última quarta-feira (29).

NA BAHIA II

Nesse sábado, a emedebista participa de uma celebração à Independência do estado no Largo da Lapinha, acompanhada do pré-candidato a deputado federal Joceval Rodrigues (Cidadania) e do presidente do Cidadania, Roberto Freire. Já o pré-candidato Ciro Gomes (PDT), afirmou à CNN, que espera um “reparo” por parte do Supremo Tribunal Federal (STF) com relação à aprovação da PEC dos Combustíveis, aprovada na última quinta-feira (30), pelo Senado. “A canalhice que se votou em Brasília é isso. Uma emenda a constituição que permite a população acreditar que será salva por um socorro, que só vai até dezembro, o que significa um estelionato eleitoral gravíssimo e uma violação da própria constituição… o que quer dizer que eu espero que o Supremo Tribunal Federal ponha um reparo neste absurdo”, disse o pedetista. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, comemorou o dia da Independência da Bahia. “Eu acho que é importante que o povo brasileiro conhecesse o que é o 2 de julho na Bahia. Para lembrar que a independência foi feita com sangue, com morte, com negros, com indígenas, com padres, freiras e o povo trabalhador para expulsar os portugueses, então é isso que você vê”. disse.

CONVÊNIO

O governador de Sergipe, Belivaldo Chagas (PSD), informou  através de uma rede social, que o estado firmou um convênio com o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) para baixar os preços dos combustíveis no estado. Por outro lado, a distribuidora Vibra fez um reajuste de R$ 0,30. O preço médio da gasolina em Sergipe é de R$ 7. A previsão de redução foi de R$ 0,18 a R$ 0,19 no litro do diesel; R$ 0,45 a cada litro de gasolina; e R$ 1,99 no gás de cozinha. Mas, de acordo com secretário executivo do Sindicato dos Donos de Postos de Combustíveis de Sergipe (Sindopese), Maurício Cotrim, com o reajuste da Vibra, a queda do preço seria de apenas R$ 0,15 na gasolina. “Com esse reajuste, a redução que iria acontecer é praticamente anulada. É preciso que os órgãos públicos fiscalizem as distribuidoras, porque a população está sendo enganada. Não vai acontecer redução e a população precisa entender isso”, pontuou Maurício. Sobre o assunto, a Agência Nacional do Petróleo informou que os preços dos combustíveis são livres no Brasil, por lei, desde 2002, e que são fixados pelo mercado. Informou ainda que os reajustes são feitos pelo mercado, pelos agentes que nele atuam, como as refinarias — em sua maioria, da Petrobras —, distribuidoras e postos de combustíveis.

GESTÃO PÚBLICA

Pré-candidato ao Governo de Sergipe pela Federação PSDB/Cidadania, o senador Alessandro Vieira participou do 1º Colóquio de Boas Práticas de Gestão Pública – Café com Política. Alessandro destacou o conjunto de práticas que vem desenvolvendo ao longo dos 3,5 anos de mandato como senador da República por Sergipe; todas focadas na inovação e no melhor atendimento dos sergipanos e sergipanas. “Atuando como delegado de polícia, por quase 20 anos, tive a compreensão de que as soluções para os principais problemas da população estão na política. Através da política, você escolhe detalhadamente onde será investido o dinheiro público, quais são as prioridades. E muitas das vezes, pequenos investimentos, como o incentivo dado a uma associação de agricultura familiar no interior do Estado, pode impactar diretamente de forma positiva a vida de 100, 120 famílias sergipanas e mudar os rumos dali para a frente”, pontuou Alessandro. Durante o encontro, Alessandro Vieira evidenciou que sua caminhada política vem sendo construída com respeito a todos, mas trabalhando de forma diferente daquilo que a população está acostumada a ver na política. “Quando vemos os péssimos resultados que temos no Brasil e em Sergipe, entendemos que eles são frutos das más escolhas que fizemos na política. Por isso, minha jornada é pautada numa forma diferente de atuação, pela compreensão simples e objetiva de que se você fizer a mesma coisa, com as mesmas pessoas sempre, o resultado será o mesmo. E o resultado que a gente vê não é bom. Defendemos uma mudança e essa mudança vem se concretizando em várias práticas, atuando de forma independente e respeitosa com o cidadão”, afirmou. Dentre as novas práticas políticas defendidas por Alessandro Vieira está a economia de dinheiro público, primeiro com uma campanha eleitoral barata, e no mandato com a contratação de equipe por processo seletivo e recusa de privilégios.

MARCHA PARA JESUS

A Marcha para Jesus em Brasília ocorreu neste sábado (2/7) sem a presença do presidente Jair Bolsonaro (PL), mas com a da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e de outras autoridades ligadas ao chefe do Executivo. "Hoje o nosso presidente não pôde estar presente, está com agenda, mas nós estamos aqui para representá-lo. Vocês estão aqui para representá-lo. E esse é um dia profético para nossa nação", discursou a primeira-dama. "Nenhum armadilha prosperará contra a nossa nação. Nós declaramos que esta nação é santa. As portas do inferno não prevalecerão contra a nossa família". Além do teor religioso da manifestação, a Marcha para Jesus, organizada pelo Conselho de Pastores Evangélicos do Distrito Federal (Copev-DF), teve forte conotação política. Nos discursos, os pastores defenderam que "daqui para outubro é o vale da decisão", e que "estão em guerra". O tema do combate à corrupção também esteve bastante presente no evento. Estiveram presentes no evento também: o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB); o ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro, Onyx Lorenzoni (PL); a ex-ministra da Mulher e dos Direitos Humanos Damares Alves (Republicanos); e os deputados federais Júlio César Ribeiro (Republicanos-DF), João Campos (Republicanos-GO) e Celina Leão (PP-DF). Jair Bolsonaro cumpre agenda em Salvador, Bahia, e não pôde comparecer à Marcha. O evento, porém, divulgou a sua presença como confirmada durante a semana. A organização esperava em torno de 50 mil pessoas, e a marcha estava programa para chegar até a Praça dos Três Poderes. Porém, a concentração final ocorreu na Esplanada, pouco antes do Congresso Nacional.

POLARIZAÇÃO CONFIRMADA I

Ninguém se arrisca a afirmar com plena certeza, mas os números das pesquisas e as interpretações dos movimentos a pouco mais de três meses da eleição afastam, ou ao menos reduzem, a possibilidade de o embate deixar de se concentrar em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL). É justamente o tempo a ser percorrido até o pleito que motiva a cautela, porque levantamentos como o realizado pelo Datafolha no fim de junho indicam tendências do momento em que são feitos, mas, como insiste o clichê, não substituem o resultado das urnas. Outros prazos reforçam o diagnóstico de que é remota a chance de surgirem novos favoritos, assim como lançam dúvidas sobre as condições de recuperação de Bolsonaro e a capacidade de Lula de administrar sua vantagem. A comparação com corridas presidenciais anteriores torna a disputa deste ano singular sob muitos ângulos, mas reitera a lembrança de um risco constante: a hipótese do inesperado e até mesmo do excepcional -como a facada sofrida por Bolsonaro em 2018. "Levando em conta apenas os elementos normais de análise de conjuntura, é difícil imaginar alguma mudança no cenário", diz a cientista política Carolina de Paula. "Só se considerarmos eventos externos, como facadas e similares", segue ela, ligada à Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). Mesmo com a adversidade imposta pela muralha da soma de 75% de intenções de voto em Lula (47%) e Bolsonaro (28%), presidenciáveis como Ciro Gomes (PDT, 8%), André Janones (Avante, 2%) e Simone Tebet (MDB, 1%) se mantêm esperançosos de que até 2 de outubro há uma longa estrada. Ciro lança mão da analogia de que os votos que poderão cair em seu colo estão hoje represados entre indecisos e eleitores pouco convictos dos dois líderes. Ele diz que a população está em um "estado de torpor e medo", mas vai acordar. Na mesma linha, Janones afirma que o voto será decidido na reta final e que isso provocará uma busca por opções. O deputado federal por Minas Gerais sustenta que as pessoas estão reféns da obrigação de terem que escolher o menos pior, mas isso vai mudar. Tebet vem tentando se firmar com uma mensagem de esperança e pacificação. Escolhida candidata de consenso da depauperada terceira via, ela é desconhecida por 77% da população. O desafio é subir nas pesquisas e ser vista como alternativa viável.


POLARIZAÇÃO CONFIRMADA II 

Estrategistas dessas campanhas recorrem a vários argumentos para embasar a ideia de que nada garante que Lula ou poderá se eleger no primeiro turno ou necessariamente competirá com Bolsonaro no segundo. Isso, é claro, desconsiderando a ameaça de golpe eleitoral pelo atual mandatário. A propaganda gratuita em rádio e TV (que irá de 26 de agosto a 29 de setembro), a fadiga do eleitorado com a polarização entre Lula e Bolsonaro e um despertar tardio de parte do eleitorado para as eleições e para a existência de opções são citados como possíveis pontos de virada. Há ainda quem aposte nas rejeições volumosas a Bolsonaro e Lula (hoje de 55% e 35%, respectivamente) como gatilho para uma reviravolta. Todas as suposições são encaradas com ceticismo por especialistas. "As pesquisas indicam cristalização do sentimento de que a concorrência será entre os dois e que será preciso ficar com um deles", diz Carolina. Segundo ela, o uso disseminado das redes sociais, turbinado pelo bolsonarismo, promove um clima permanente de campanha, diferentemente do que ocorria no passado. A nova realidade tende a diluir a importância da propaganda obrigatória nos meios tradicionais. Os prognósticos sobre estabilidade do cenário se baseiam ainda na antecipação do debate eleitoral -a princípio por obra do mandatário, depois pela reabilitação do petista- e no inédito antagonismo entre políticos carismáticos que já ocuparam o cargo e podem ser avaliados empiricamente. "Algo que não seja o enfrentamento entre Lula e Bolsonaro me parece a cada dia mais improvável", afirma Humberto Dantas, coordenador da pós-graduação em ciência política da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. "Com o que se tem hoje, sobra pouco espaço para outro fenômeno." Para o pesquisador, o quadro nada mais é do que um reflexo da política nacional nos últimos anos, em que a força gravitacional de ambos se impôs. O malogro da centro-direita na tentativa de fabricar uma alternativa sólida tem a ver com isso. A essa mesma altura dos pleitos de 2018 e 2014, as intenções de voto estavam mais pulverizadas entre os principais candidatos, o que significava perspectiva maior de oscilações, quedas e ultrapassagens. Na corrida de quatro anos atrás, havia ainda um elemento no horizonte capaz de mexer com a situação, a troca de Lula, então preso e impedido de concorrer, por Fernando Haddad na chapa do PT.


POLARIZAÇÃO CONFIRMADA III

A onda dos outsiders e da renovação política, apropriada por Bolsonaro, refluiu desde então, como demonstrou a eleição municipal de 2020, ditada por credenciais como experiência de gestão. Isso faz analistas desestimularem comparações com as viradas de governadores vitoriosos em 2018, como Romeu Zema (Novo-MG) e Wilson Witzel (PSC-RJ), que foram arrastados pelo turbilhão bolsonarista. Entende-se que a realidade agora é outra, tanto nos estados quanto no plano federal. O conjunto de particularidades leva à avaliação de que o período oficial de campanha dificilmente terá potencial para abalar a permanência de Lula e Bolsonaro na dianteira. Não são descartadas, porém, variações nos percentuais deles em função dos previsíveis ataques de parte a parte. "Se Bolsonaro for capaz de produzir um milagre, terá chance de vitória. Senão, terá bastante dificuldade e vai ter que contar com a sorte", diz o sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, do instituto de pesquisas Ipespe. A história, observa ele, mostra que presidenciáveis que viraram o jogo foram beneficiados por trunfos (como foi o caso de Fernando Henrique Cardoso e o Plano Real em 1994), padrinhos (Dilma Rousseff e o apoio de Lula em 2010) ou excepcionalidades (atentado a Bolsonaro, que o evidenciou). Na luta para ficar na cadeira até 2026, o chefe do Executivo recorre a medidas de cunho eleitoreiro para tentar mitigar as consequências da crise econômica, pauta mais do que central nesta eleição. A grande dúvida é se os gestos terão efeito a curto prazo e impacto no voto. Para analistas, a situação de Bolsonaro é crítica por esse viés, mas ligeiramente confortável se for examinado o fato de que ele ostenta patamar entre 25% e 30% de intenções de voto e não sofre ameaça de ser desalojado da segunda colocação por outros rivais. O que está posto hoje - Lula e Bolsonaro, juntos, somam 75% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto o terceiro colocado, Ciro Gomes, tem 8%, segundo o Datafolha - Lula alcança 37% na pesquisa espontânea e salta para 47% na estimulada (quando são apresentados os nomes dos postulantes). Bolsonaro vai de 25% para 28% - 70% dos eleitores afirmam já estarem totalmente decididos sobre seu voto, segundo o Datafolha. O percentual é ainda maior entre os eleitores de Lula e Bolsonaro (80%) - 45% dos brasileiros disseram, na pesquisa Datafolha de março, possuírem grande interesse na eleição nacional. Em 2018, esse grau de envolvimento só foi atingido em setembro - Com intenções de voto firmes mesmo com reveses em série, Bolsonaro tem rejeição de 55% que não votariam nele de jeito nenhum, índice estável desde marçoO que ainda pode mudar - 27% dos eleitores na pesquisa espontânea dizem não saber em quem vão votar, taxa que cai para 4% na estimulada. Nulos e brancos são 7%. Para 29%, sua escolha atual pode mudar - Campanhas de Ciro e Tebet apostam no período oficial de campanha, que vai durar um mês e meio, a partir de 16 de agosto, para convencer indecisos e fisgar mais eleitores. Adversários projetam fadiga do eleitor com a polarização entre Lula e Bolsonaro, que levaria à busca de outras opções, mas ambos apresentam até aqui bases fiéis - Tebet e Janones são conhecidos por, respectivamente, 23% e 25% dos eleitores e esperam elevar esses índices para crescerem em intenções de voto - Deixar a decisão do voto para a última hora foi algo comum em anos recentes, mas analistas veem cenário cristalizado precocemente desta vez, o que favorece voto útilDúvidas que pairam - Bolsonaro conseguirá ganhar fôlego com as ações eleitoreiras para tentar reduzir os preços de combustíveis e aumentar o Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600? - Candidaturas alternativas vão chamar a atenção do eleitor e encorpar seus índices tendo pouco mais de um mês de campanha oficial e de horário na TV e no rádio? - Candidatos como Ciro, Tebet e Janones vão seduzir eleitores e subir nas pesquisas a ponto de evitar vitória de Lula no primeiro turno ou tirar Bolsonaro do segundo? - Alguma surpresa pode bagunçar o cenário, seja alteração na lista de concorrentes, mudança de humor do eleitorado ou outro acontecimento da esfera do insondável? - A campanha oficial, com candidatos exaltando suas virtudes e atacando rivais, conseguirá impactar de maneira significativa os desempenhos de Lula e Bolsonaro?




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