20/07/2021 as 11:05

A lógica torta das redes sociais

Acepções subjetivas e sua influencia sobre o cenário político sergipano

Blog do TR

Política
Por Thiago Reis
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Muito embora eu seja um ferrenho defensor da autonomia concedida à sociedade pelo advento das redes sociais, tenho observado nos últimos anos um comportamento deturpado dessa autonomia. E essa deturpação da autonomia concedida pelas redes sociais à sociedade, se extende por diversos segmentos, intelectuais, psíquicos e até comportamentais.

Passamos de uma sociedade pensante para um amontoado de analfabetos funcionais, que abdicaram do direito de pensar, para delegar a tutela intelectual da humanidade à pauta regimental que esteja de acordo com os interesses defendidos de forma majoritária pelas redes sociais. E como resultado catastrófico, o caos se instalou no subcontinente da massa, fazendo com que o nosso futuro seja construído a partir de narrativas contraproducentes.

Em teoria, por ser o menor Estado da Federação, a possibilidade da implementação e desenvolvimento de políticas públicas efetivamente produtivas em Sergipe é muito maior do que em qualquer outro Estado do país, mas infelizmente essa lógica é completamente invertida.

Mas de quem é a culpa dessa “natureza improdutiva”!? Da classe política em geral ou da própria sociedade, que como eu disse anteriormente, abdicou do direito de pensar para delegar às redes sociais decisões individuais que contemplam a coletividade!?

A meu ver, a lógica torta das redes sociais acabou subvertendo o conceito da autonomia intelectual, transformando a sociedade em um ajuntamento de procrastinadores.

E nesse ambiente, acepções subjetivas passaram a ser consideradas verdades inequívocas, porque estão de acordo com as narrativas que são fabricadas para garantir a manutenção do poder nas mãos de figuras públicas que não têm qualquer compromisso com as demandas da população.

Lamentavelmente, Sergipe hoje é um Estado que do ponto de vista da representatividade e relevância das figuras públicas que são protagonistas no cenário político, parou no tempo, se tornando refém de uma cultura enviesada, onde o político é reverenciado como um semi-Deus, que não está sujeito ao crivo das críticas da opinião pública.

Daí que se eu ou qualquer outro desavisado de plantão queira fazer uma leitura do cenário político sergipano, mas uma leitura crítica, com o objetivo de fazer com que o leitor ou o ouvinte possa desenvolver um juízo de valor apartado de narrativas, sobre a conduta de qualquer que seja a figura pública detentora ou não de mandato eletivo, deve estar preparado para enfrentar uma tremenda rebordosa provocada pela revolta dos intelectuais que tratam as figuras públicas sergipanas como semi-Deuses.

A disputa eleitoral de 2022 se aproxima, e eu particularmente antevejo que esse processo eletivo pode se tornar um divisor de águas em Sergipe. Porém, é necessário que a sociedade retome seu direito legítimo de pensar, de raciocinar, e assim enxergar que o poder não está nas mãos dos políticos, mas sim na vontade do povo.




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