CIÊNCIA E TECNOLOGIA

12/08/2021 as 06:09

TikTok: profissionais de diferentes áreas investem na rede social do momento

Saiba como a plataforma tem sido utilizada para promover serviços e negócios de forma descontraída

Foto: Getty Images<?php echo $paginatitulo ?>

Divirta-se! Eis a palavra de ordem do TikTok, a rede social do momento que é febre entre os mais jovens justamente pela versatilidade, criatividade e leveza intrínsecas ao seu DNA. No melhor estilo “faça você mesmo”, a plataforma de vídeos e dublagens brinca com filtros, legendas, trilha-sonora, gifs, cortes rápidos de edição, efeitos visuais, slideshows animados, jogos, memes, hashtags, maquiagens e uma gama de acessórios interativos que, juntos e misturados, têm resultado em tanto poder viral que profissionais das mais diversas áreas resolveram levar a “brincadeira” a sério, parando para entender como uma inteligência artificial “descolada” também pode vir a incrementar serviços e negócios. 

Há quem, de cátedra, anuncie sem titubear: criar conteúdo divertido para promover as diversas profissões é a mais nova “onda” que se derrama sobre o TikTok. Egressa do curso de Design de Moda da Universidade de Fortaleza, a criadora da marca Moon chest, Amanda Chaves, 22, já “bombava” com seis mil seguidores no Instagram quando, no início de julho, criou um perfil pessoal e postou seu primeiro vídeo profissional na plataforma que havia chamado atenção dos internautas pelo “boom” de adeptos conquistados desde o surgimento da pandemia da Covid-19, em 2020. 

“Fiz uma parceria com uma influencer de Fortaleza muito conhecida no TikTok e ela me sugeriu entrar. Topei. E em um único dia, consegui 700 seguidores e mais de mil visualizações. Não esperava um engajamento tão imediato. Já estou com mais de 700 seguidores e tenho me divertido muito produzindo e postando vídeos. Também tenho formação em marketing e isso me fez pegar gosto pela coisa. Admito que é uma sobrecarga de trabalho, porque você tem que estar sempre postando algo novo e isso me consome quase as 24 horas do dia, mas há muito queria ‘humanizar’ a minha marca e agora acho que encontrei o melhor caminho”, afirma a empreendedora. 

“Trabalho com moda agênero, sob medida e feita para durar,a partir de tecidos naturais. Minha loja é 100% online e investi no TikTok para aproximar a marca do cliente e gerar maior cumplicidade com o propósito e estilo de vida por trás dela”, Amanda Chaves, egressa do curso de Design de Moda da Unifor. 

A humanização pretendida, segundo Amanda, veio justamente na esteira da linguagem bem-humorada e espontânea típica da plataforma. “Mostro os bastidores de criação das roupas, apareço nos vídeos fazendo duetos com as influencers e me coloco como personagem, dançando com os looks. Com isso, a identificação foi tanta que, nos comentários, passaram a me chamar de ‘moon’, ou seja, me rebatizaram com o nome da marca. Entendi isso como prova de engajamento, quebrou-se aquele distanciamento entre quem produz e quem consome e tenho muito mais feedback”, opina.    

Segundo Amanda, o uso da plataforma que tanto pode gerar empatia também já lhe causou repulsa e indignação. “Muitas pessoas usam o TikTok de forma pejorativa. O TikTok demora muito para banir esse tipo de exposição. E há muitas formas de burlar o algoritmo. Então, acho que ainda é necessário um poder maior de fiscalização lá dentro. E, claro, da parte de quem usa pessoal ou profissionalmente, saber que pode denunciar e dar o exemplo de como promover-se sem apelação ou excessos”, sublinha.

Os usos controversos da plataforma que ri e diverte, mas também pode fazer chorar voltaram a cair na berlinda no último dia 3 de agosto, quando a cantora de forró Walkyria Santos (ex-vocalista da Banda Magníficos), perdeu o filho de 16 anos, que, fragilizado por uma depressão, acabou cometendo suicídio após ver um vídeo seu ser mal interpretado e duramente atacado por haters. A mãe, ainda em estado de choque, chamou atenção em reportagens posteriores sobre o quanto os comentários maldosos, sobretudo, em redes sociais voltadas aos mais jovens, podem representar danos irreversíveis para seus usuários. 

Sinal de alerta. Para a professora dos cursos de Jornalismo e Publicidade da Universidade de Fortaleza, instituição da Fundação Edson Queiroz, Alessandra Oliveira, episódios trágicos como esse demonstram o quanto o virtual é real e como princípios éticos vêm sendo banalizados. “O que acontece nas redes impacta na vida das pessoas que estão cada vez mais viciadas em likes. O próprio funcionamento das redes induz a uma necessidade às vezes excessiva de afirmação. Quando você é cancelado ou vira alvo de ‘haters’ pode parecer que o mundo inteiro desmorona. Isso porque, para algumas pessoas, o mundo virtual é mais relevante ou tão referencial quanto o mundo material. Tudo é muito efêmero nas redes. E frágil, infelizmente”, lamenta.

 

UNIFOR/CE




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