BRASIL

21/11/2020 as 08:18

Desigualdade racial no Brasil começa no útero

Mulheres pretas e pardas respondem por 65% das mortes maternas

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um bebê negro já tem risco maior de morte em relação a uma criança branca antes mesmo do seu nascimento. Mulheres pretas e pardas respondem por 65% das mortes maternas, aquelas que ocorrem na gestação ou nos 42 dias após o parto. Muitas vezes, com elas, vão junto os seus filhos.

 Ainda que os esforços na prevenção e cuidado das gestantes e dos recém-nascidos tenham sido ampliados nas últimas décadas, permanecem as disparidades de acesso ao pré-natal entre gestantes negras e brancas.

Segundo dados preliminares do Ministério da Saúde, em 2019, 81% das gestantes brancas realizaram, no mínimo, sete consultas de pré-natal. Entre as negras, a taxa é de 68,1%.

"Como as mães têm menos menos acesso ao pré-natal e não recebem tratamento correto, crianças negras têm mais sífilis congênita, por exemplo", diz a médica Denize Ornellas, membro do Grupo de Trabalho da População Negra da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade.

Até um ano de vida, crianças negras terão 22,5% a mais de chance de morrer em comparação às brancas. A taxa de mortalidade infantil é 13,98 por mil nascidos vivos entre os negros e 11,41 entre os brancos.

Segundo levantamento da Fundação Abrinq, 70% da mortes de bebês negros até um ano são por causas evitáveis, como diarreias e pneumonias. Nas crianças brancas, a taxa é de 62%.
Ano passado, 12.428 crianças negras morreram nessas condições contra 8.510 brancas. Os números compilados pela entidade em 2019 são ainda preliminares.

Para Victor Graça, gerente-executivo da Fundação Abrinq, os dados indicam o desequilíbrio de acesso das crianças negras às medidas de prevenção e cuidado.

"Uma desigualdade vai levando a outra. Os negros têm menor renda, e, quanto menor a renda, maior o risco de desnutrição, de acesso a saneamento, à saúde."

Os estudos da Fundação Abrinq mostram que, quando selecionadas as crianças negras e brancas de até 14 anos de idade que têm renda domiciliar mensal per capita de até meio salário mínimo, as negras permanecem sendo as que estão em condições domiciliares mais precárias: 9,9% não possuem banheiros em casa, por exemplo.

 



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